Regresso às aulas
Janeiro 15, 2009
Esta semana recomeçam as aulas na Manchester Metropolitan University. Depois de duas semanas dedicadas quase exclusivamente ao cinema, espera-nos um mês e meio algo mais trabalhoso do que os três meses que ficam para trás. Encontramo-nos agora a cinco semanas do regresso definitivo a Portugal. Apesar de termos já algumas cadeiras feitas, é tempo de pôr mãos à obra e começar os muitos “essays” que teremos de entregar. O tempo já não é muito, e a segunda fase deste período de “Erasmus” começa agora. Estas próximas semanas terão para nós um gosto diferente, pois muitos dos amigos que aqui fizemos já voltaram ou voltam agora aos seus países. Serão, certamente, semanas mais calmas, agora que o entusiasmo inicial começa a desaparecer, com todas as partidas. É sempre difícil quando alguém regressa a casa, há um espaço entre nós que fica por preencher. Quando alguém deixa o grupo, leva com ele um pedaço de cada um de nós. Esta semana partem duas das pessoas que me farão mais falta aqui em Manchester. Duas das pessoas com quem criei laços mais fortes, desde Setembro. Se os nossos caminhos se voltarão a cruzar, é cedo para dizer. Sabemos que há pessoas que entram e saem das nossas vidas. Mas há também aquelas que ficam, com quem criamos ligações mais fortes e que não esqueceremos facilmente. Por agora, é apenas tempo de dizer “até já”. Nestes últimos dias, a cidade de Manchester tem acolhido vigílias diárias contra os bombardeamentos na faixa de Gaza. Esta campanha de solidariedade já dura há alguns dias, tendo começado com uma manifestação pela cidade no início do mês. Agora, as vigílias silenciosas em frente aos estúdios da BBC são constantes. A maioria dos manifestantes é de origem muçulmana, embora se vejam também alguns ingleses. Nota-se que há uma grande adesão por parte das pessoas a este tipo de iniciativas. Talvez porque Manchester, tal como o resto de Inglaterra, é um pequeno “melting pot”, uma mistura de nacionalidades e etnias. Há actividades, associações ou iniciativas para todos os gostos, para cada grupo de pessoas. Por vezes, o mais difícil por estes lados é encontrar alguém que seja verdadeiramente “mancunian”, natural de Manchester. Com tal mistura de culturas, até mesmo os ingleses acabam por se tornar um pouco “internacionais”, por vezes identificando-se mais com os hábitos de outros países do que com os seus.
Rita Araújo
in Correio do Minho, 14 Janeiro 09