As despedidas

Fevereiro 16, 2009

Entramos agora na última semana em solo britânico. A partida está para breve; na próxima sexta-feira já devo estar a dormir na minha cama, em Braga. Com as despedidas à porta, temos tentado aproveitar estes últimos dias ao máximo. Já entregámos quase todos os trabalhos e estamos, assim, mais livres de preocupações e prontos para “queimar os últimos cartuchos”. A nossa última semana em Manchester coincide com a “reading week”, altura em que os estudantes aproveitam para terminar e entregar os trabalhos. O calendário inglês é um pouco diferente do português, até porque prevê uma semana sem aulas em cada período. Da experiência que tive no último período, esta semana é muito útil para nos pormos a par da matéria e acabarmos os trabalhos em falta. Há quem tenha menos trabalho a fazer e aproveite para viajar e recarregar baterias para o resto do período. Com a partida em mente, nestes dias fiz uma lista das últimas coisas a fazer em Manchester. Coisas a não esquecer e lugares a revisitar na cidade. Os meus sítios preferidos ocupam o maior espaço na lista; ficam todos no “Northern Quarter”, o bairro “alternativo” da cidade. Perco-me nas lojas “vintage”, que estão por todo o lado. Recentemente, descobrimos uma nova loja, que está no topo das nossas preferidas. Também fica no mesmo bairro e é uma mistura entre loja e café, o que é costume por aqui. Mas, por esta altura, a cabeça já está mais em Braga do que em Manchester. Sinto pena por não ter oportunidade de conhecer os novos “Erasmus”, já que o tempo que passámos juntos está a acabar pouco depois de ter começado. Mas apesar de o meu período de intercâmbio ainda não ter terminado, já se pode fazer um balanço destes quatro meses. Espero que, com estes textos, tenha dado a conhecer um pouco do que é o estilo de vida inglês e os hábitos que se criam da vivência no Reino Unido. É uma experiência única, que recomendo a todos aqueles que tenham essa oportunidade. Para além daquilo que se aprende em termos académicos, o enriquecimento pessoal vem acima de tudo. É bom estarmos em contacto com diferentes pessoas e diferentes culturas, de forma a podermos, também nós, ganhar diferentes horizontes e pontos de vista. Fica-se mais preparado para enfrentar as adversidades, e mais disposto a entrar em desafios. Porque, apesar de tudo, isto é um desafio que nos colocamos a nós próprios…

Rita Araújo

in Correio do Minho, 11 Fevereiro 09

Fado em Manchester

Fevereiro 11, 2009

Sempre que saio com o Fati acontecem coisas estranhas.

Passámos os dois últimos dias às voltas no centro, de loja em loja. Tenho a sensação que passámos mais tempo juntos nestes últimos dias do que em toda a estadia em Manchester…

Ontem fomos a uma loja que gosto muito, no Northern Quarter. Mal entrámos, apercebemo-nos que a música nos era familiar. Olhámos um para o outro e dissemos: “Ah, isto é fado!”.

Amália Rodrigues era o som de fundo numa loja “alternativa” no coração de Manchester.

 

Rita

“Viva la Vida”

Fevereiro 8, 2009

Entrámos agora na última semana da experiência Erasmus.Não vou escrever sobre o que sinto. Não sou capaz de definir este sentimento, e como não gosto de falar do que não sei, remeto essa explicação para quando estiver capaz de tal.

Esta semana fazemos as despedidas. Na quarta feira, na residência de Cavendish, a nossa “verdadeira casa”, vamos fazer uma festa, que para além da celebração do aniversário da Giulia e do meu “non-birthday”, vai funcionar também como a nossa despedida. Na verdade, já comecei a fazer a minha própria despedida  na segunda-feira, quando fui ao supermercado pela última vez aqui em Manchester. Por que referir a ida ao supermercado?!

Apesar de viver já há dois anos em Braga, a experiência de Manchester fez-me perceber verdadeiramente o que significa morar fora de casa. Passo a explicar: Durante estes cinco meses estivemos por conta própria. Não havia ninguém que fosse capaz de fazer de cada momento o mais especial, a não ser nós mesmos. Cada desafio tinha que ser enfrentado com as nossas forças, e penso que todos saímos a ganhar, mesmo quando não sentimos isso. Enfim, julgo que pela primeira vez fui, tal como os meus companheiros, confrontado com o real viver. Tornando isto mais simples: éramos nós ou ninguém.

Espero conseguir levar cada lição aprendida para o meu real mundo, de forma a tornar a minha experiência Erasmus ainda mais especial. E, afinal, o que tem a ver isto com o supermercado? Bem, se não fosse eu a comprar as coisas, tinha passado cinco meses à fome. Talvez não seja bem verdade, que ainda ontem roubei uma lata de atum à Rita.

Estou sem pc e assim vou ficar até chegar a Portugal.

Ivo Neto

Uma visita ao Lake District

Fevereiro 5, 2009

Esta semana conhecemos mais alguns dos novos “Erasmus”. Apesar das saudades dos que já foram e da nostalgia de estarmos quase a partir para Portugal, tem sido muito bom conhecer mais pessoas e ver que a história se repete, quatro meses depois. Com os novos estudantes, tudo acontece como aconteceu connosco, no já distante mês de Setembro. Mas eles agora têm alguém para os ajudar. Nós, que já cá estamos desde o trimestre passado, tentamos incluí-los no grupo e ajudá-los naquilo que precisam. No domingo fomos ao Lake District com algumas das pessoas que conhecemos. Éramos dois portugueses, uma italiana, dois holandeses, um americano, uma austríaca e uma belga. Uma autêntica mistura de nacionalidades, que se revelou bastante divertida. Estamos a gostar de conhecer mais do que uma pessoa da mesma nacionalidade, para não criarmos ou mantermos estereótipos sobre determinado país. Deixámos Manchester no domingo de manhã e fomos de comboio até Windermere, no Lake District, quase a chegar à Escócia. Apesar de o tempo ter estado muito frio e de ter mesmo nevado, foi uma viagem agradável e um domingo muito bem passado. Para além do passeio e da paisagem, que é muito bonita, pudemos ainda conhecer-nos melhor e aproveitar o pouco tempo que nos resta juntos.
Embora o fim esteja próximo, a maior parte do tempo tem sido dedicada ao estudo. Com a partida a aproximar-se, temos de entregar os últimos “essays” e de fazer as típicas pesquisas de última hora para os trabalhos. Começámos também a receber as notas daquilo que já fizemos até aqui. As notas têm sido boas, de acordo com o sistema de qualificação britânico. A escala aqui no Reino Unido vai de zero a cem, enquanto que em Portugal varia entre o zero e os vinte. Mas em Portugal, geralmente, a escala é usada até aos vinte; tendo um bom trabalho, é possível termos uma nota próxima do final da escala. Aqui em Inglaterra, as notas reais não correspondem à escala oficial; ou seja, há um entendimento geral de que a escala só chega, no máximo, até aos oitenta por cento. Alguém que ultrapasse essa barreira, é considerado extremamente fora da média e os seus trabalhos podem até ser publicados no jornal ou em revistas científicas.

Rita Araújo

Lake District Correio do Minho, 4 Fevereiro 09

Na semana passada resolvemos começar a ensinar a nossa língua uns aos outros. Reunimos o grupo de “Erasmus” e preenchemos todos os dias da semana, com excepção do domingo. As aulas começaram na segunda-feira, com o francês. À terça é dia de italiano, quarta de português, quinta de espanhol, sexta de holandês e sábado de checo. Para já, a experiência está a revelar-se interessante. Estamos a aprender as coisas mais básicas de uma língua, desde os verbos mais simples e as conjugações até aos cumprimentos. As aulas têm sido bastante concorridas, e o ambiente descontraído faz com que todos se sintam melhor a aprender. As línguas como checo ou holandês são as mais difíceis para quem tem uma origem latina, mas é engraçado entrar numa linguagem totalmente diferente e tentar captar alguma coisa do que dizem.
Na sexta-feira, depois da aula de holandês, fizemos uma jantarada na cozinha da residência. Desde Dezembro que o Honza, o rapaz checo do nosso grupo, me tinha pedido para cozinhar arroz de polvo. Habituado a ouvir conversas entre portugueses e espanhóis sobre as várias maneiras de cozinhar o polvo, ficou muito surpreendido por comermos esse molusco. Como ele nunca tinha provado, esta semana comprou um polvo e fizemos um típico jantar português. Eu e o Sérgio, um francês com origens em Guimarães, cozinhámos o petisco. Com os espanhóis de um lado a reclamar que estávamos a matar o polvo e os holandeses do outro a arregalarem os olhos de surpresa, no final acabou por ser um jantar agradável.
Uma das coisas que certamente qualquer pessoa nota quando vem viver para Inglaterra é a preocupação generalizada com a segurança. Todas as casas estão equipadas com alarmes de incêndio; as janelas têm alarmes anti-roubo; as portas fecham automaticamente para impedir o alastramento de um possível fogo; a porta da entrada de casa tem mais de três fechaduras. Para além disto, a cidade é permanentemente monitorizada por um sistema de vídeo de segurança, a CCTV. Após quatro meses aqui, estou tão habituada aos avisos de que a CCTV pode estar em funcionamento que já não me apercebo da presença das câmaras. No entanto, no passado fim-de-semana, quando entrava na residência, apercebi-me que também aí há câmaras de vídeo. Não só nos corredores e entradas, mas também nos elevadores. No momento em que vi um amigo meu a descer no elevador, pela câmara, senti-me de imediato assaltada por um sentimento de invasão de privacidade, um autêntico “Big Brother”. É importante que sejamos cuidadosos no que toca à nossa segurança, mas os limites entre a vigilância e a intromissão da privacidade devem estar bem definidos.

Rita Araújo

in Correio do Minho, 28 Janeiro 09

Os novos “Erasmus”

Janeiro 24, 2009

A última semana foi muito peculiar. Chegaram mais estudantes “Erasmus”, um novo grupo que irá substituir este que em breve parte. Enquanto que o grupo original se vai desmembrando mais e mais a cada dia que passa, novas pessoas chegam para tomarem o lugar que antes era o nosso. A residência de “Cavendish” começa agora a ganhar mais vida, e as primeiras semanas em Inglaterra são revividas por todos nós. Conhecer novas pessoas, saber as suas histórias, integrá-las num grupo que já está formado desde Setembro… Têm sido assim estes dias em Manchester. Embora seja bom conhecer mais “Erasmus” e tenhamos consciência que este segundo período é uma nova etapa na experiência de intercâmbio, tem sido difícil não comparar os estudantes que chegam com aqueles que já partiram. Apercebemo-nos agora que algumas das características que julgávamos serem típicas de certa nacionalidade, não o são. Conhecemos, apenas, pessoas diferentes, com personalidades diferentes, vindas do mesmo país. As primeiras semanas em Manchester vêm-nos agora à memória: os primeiros encontros, as primeiras saídas, as primeiras refeições que fizemos todos juntos. No entanto, a menos de um mês de regressar definitivamente a casa, já me sinto mais em Braga do que em Manchester.
Mas a chegada de novos estudantes traz-nos também algumas confirmações. Uma delas, a que para mim é mais evidente, é a dificuldade que os espanhóis e italianos têm em falarem línguas. Dos povos latinos, os portugueses são quem melhor fala o inglês, quem tem a melhor pronúncia e quem faz o esforço maior para ser percebido. Chegámos à conclusão que tem muito que ver com as dobragens, que são a regra em Espanha e Itália. Todos os filmes são dobrados para espanhol ou italiano, e até as músicas podem ser dobradas. Na semana passada, assisti a um episódio curioso, que me despertou a atenção. Numa das noites passadas na cozinha da residência, dou por mim no meio de uma espécie de cantar ao desafio. Um espanhol e um italiano tentavam ver quem melhor ou mais alto cantava. A música escolhida era de uma cantora italiana, Raffaella Carrà, que, espante-se, tem as músicas traduzidas para espanhol. Eu estava, portanto, a ouvir a mesma música, exactamente com a mesma letra, mas cantada em línguas diferentes. O mesmo acontece com os filmes, que os espanhóis e italianos vêem dobrados, excluindo-se sempre de conversas sobre grandes êxitos de “Hollywood”, em que todos os restantes sabem citar uma ou outra frase mais conhecida. Embora estas pareçam coisas menores, ver filmes e ouvir música em inglês é uma grande ajuda para quem quer aprender a língua. Só aprendemos a falar quando estamos em contacto permanente com a língua, quando temos de a usar e de a tentar perceber.

Rita Araújo

in Correio do Minho, 21 Janeiro 09

“Italianices”…

Janeiro 21, 2009

Desde o dia 15 de Janeiro que a Giulia vive connosco. Percebemos, agora melhor do que nunca, que há três coisas que um italiano preza acima de tudo: o azeite, o café e a pasta. O azeite que compramos nunca é o “certo”; quanto ao café que aqui se vende, não há comentário possível; e a pasta, enfim… Ontem, eu e o Fati fomos apelidados de “pasta killers”.

Conclusão: Nunca ponham a faca na massa em frente a um italiano, a não ser que o queiram ver muito irritado.

Rita

Cheers Culture!

Janeiro 19, 2009

Num dos primeiros posts deste blog, o Fati fez referência à facilidade com que a cultura nos faz frente nesta cidade. Não podia estar mais certo, o rapaz de Vale Alto. Todas as noites é possível encontrar uma “Open Micro” num dos vários Pubs que caracterizam a cidade de Manchester. Os “Box Kid” são apenas uma das bandas que já vimos actuar, e cujas músicas nos vão fazer recordar a passagem por solo britânico. A “art gallery” é um dos pontos de interesse para qualquer turista, bem como o museu que se encontra nas imediações da Manchester Academy. Mas a verdade é que não é preciso sair de casa para enriquecer o nosso nível de cultura (ao escrever esta parte tive uma breve reminiscência da barra de cultura que acompanha as personagens do jogo “The Sims”). Sempre fui, como qualquer jovem, um seguidor de cinema e de música, mas na primeira semana que aqui passei, no longínquo mês de Setembro, percebi que era um aprendiz nestas duas matérias. No grupo de amigos que aqui fiz, há desde músicos a verdadeiros viciados e especialistas na sétima arte. Como se costuma dizer em bom português, ”do que há, não falta nada”. Não podia perder esta oportunidade e comecei a abrir as asas da curiosidade. Já perdi a conta ao número de filmes que vi na companhia dos meus parceiros de aventura, e o meu computador tem sido “violentado” com novas músicas de vários estilos. Claro que tudo isto tem um significado especial decorrente da situação em que cada um de nós se encontra. De todos os filmes que vi destaco o “L`Auberge espagnole” e o “Volver”. Não podia deixar de fazer referência aos “Rogue Wave”, que são a minha grande descoberta musical (thank you, Jon), a par dos já falados “Box Kid”. Erasmus também é isto: enriquecimento cultural e, sobretudo, pessoal.

Box Kid

Box Kid

Ivo Neto

Regresso às aulas

Janeiro 15, 2009

Esta semana recomeçam as aulas na Manchester Metropolitan University. Depois de duas semanas dedicadas quase exclusivamente ao cinema, espera-nos um mês e meio algo mais trabalhoso do que os três meses que ficam para trás. Encontramo-nos agora a cinco semanas do regresso definitivo a Portugal. Apesar de termos já algumas cadeiras feitas, é tempo de pôr mãos à obra e começar os muitos “essays” que teremos de entregar. O tempo já não é muito, e a segunda fase deste período de “Erasmus” começa agora. Estas próximas semanas terão para nós um gosto diferente, pois muitos dos amigos que aqui fizemos já voltaram ou voltam agora aos seus países. Serão, certamente, semanas mais calmas, agora que o entusiasmo inicial começa a desaparecer, com todas as partidas. É sempre difícil quando alguém regressa a casa, há um espaço entre nós que fica por preencher. Quando alguém deixa o grupo, leva com ele um pedaço de cada um de nós. Esta semana partem duas das pessoas que me farão mais falta aqui em Manchester. Duas das pessoas com quem criei laços mais fortes, desde Setembro. Se os nossos caminhos se voltarão a cruzar, é cedo para dizer. Sabemos que há pessoas que entram e saem das nossas vidas. Mas há também aquelas que ficam, com quem criamos ligações mais fortes e que não esqueceremos facilmente. Por agora, é apenas tempo de dizer “até já”. Nestes últimos dias, a cidade de Manchester tem acolhido vigílias diárias contra os bombardeamentos na faixa de Gaza. Esta campanha de solidariedade já dura há alguns dias, tendo começado com uma manifestação pela cidade no início do mês. Agora, as vigílias silenciosas em frente aos estúdios da BBC são constantes. A maioria dos manifestantes é de origem muçulmana, embora se vejam também alguns ingleses. Nota-se que há uma grande adesão por parte das pessoas a este tipo de iniciativas. Talvez porque Manchester, tal como o resto de Inglaterra, é um pequeno “melting pot”, uma mistura de nacionalidades e etnias. Há actividades, associações ou iniciativas para todos os gostos, para cada grupo de pessoas. Por vezes, o mais difícil por estes lados é encontrar alguém que seja verdadeiramente “mancunian”, natural de Manchester. Com tal mistura de culturas, até mesmo os ingleses acabam por se tornar um pouco “internacionais”, por vezes identificando-se mais com os hábitos de outros países do que com os seus.

Rita Araújo

in Correio do Minho, 14 Janeiro 09

O ano novo em Manchester

Janeiro 8, 2009

A passagem para o ano 2009 foi diferente das que costumo ter. O último dia do ano 2008 foi passado em Manchester, com aqueles que têm sido a minha companhia nos últimos três meses. Não éramos muitos, mas fizemos a festa. Entre dois portugueses, uma italiana, um holandês, um galego, uma finlandesa e um malaio, preparámos um jantar bastante internacional. A tarde do dia 31 foi passada no supermercado, a fazer compras para a noite que se aproximava. O jantar foi muito variado. De Portugal havia as tradicionais pataniscas; da Holanda tínhamos o “boerenkool”, que consiste num cozido de batata e couve; de Espanha a habitual “tortilla” espanhola. Curiosamente, a finlandesa brindou-nos a todos com uma “Sangria”. Quanto à italiana, contribuiu com um “Gluwine”. Foi uma refeição diferente, em que todos tentámos mostrar um pouco os costumes dos nossos países.
Também a passagem de ano em si foi uma mistura de costumes. Os portugueses e o espanhol puseram todos os outros a comer uvas ao som das badaladas, à meia-noite. Passámos a meia-noite no centro da cidade, enquanto assistíamos ao fogo de artifício. O resto da noite foi passado a dançar. Naquela noite, comemorou-se não só a passagem para outro ano mas também tudo aquilo que 2008 deu a cada um de nós. Uma das coisas que celebrámos em conjunto foi os últimos três meses em Manchester. As amizades que aqui fizemos, o tempo que temos passado juntos e a troca de vivências e experiências marcaram, certamente, o ano que fica para trás. O ano de 2008 foi muito mais que três meses, muito mais que “Erasmus”, muito mais que Manchester. Mas todos o recordaremos como um ano chave nas nossas vidas. Já em força no novo ano, temos agora mais um mês e meio em Manchester, antes de voltarmos a Portugal para nos licenciarmos. O ano de 2009 também promete ser diferente, com o fim do curso à porta e alguma incerteza em relação ao futuro.
As celebrações do ano novo aqui em Inglaterra não diferem em muito das portuguesas, com a excepção das uvas passas e dos beijos trocados à meia-noite, que parecem ser um costume mais latino. As pessoas pareceram-me muito comedidas na noite de passagem de ano, talvez também porque Manchester está, nesta altura, quase deserta. Só quando chegámos aqui depois de duas semanas em Portugal é que nos apercebemos que são os estudantes quem dá vida à cidade. Agora que as universidades estão em período de férias, vê-se pouca gente nas ruas e a cidade está muito mais silenciosa. Até a própria residência de “Cavendish” está praticamente vazia, tendo uma ou duas pessoas por corredor em vez das habituais seis. Por esta semana continuamos de férias, a tentar aproveitar os primeiros dias de 2009.
Bom ano a todos!

Rita Araújo

in Correio do Minho, 7 Janeiro 09